sábado, 11 de fevereiro de 2012

Estou voltando

Até que eu tentei ser mais normal, mas o gosto insano por escrever na solidão desta tela foi mais forte. Conversar é bom. Sair para paquerar também. Achar que posso ser algo mais que um educador... Ser empresário, sim, é possível, que dirão os impostos? Mas, sem dúvidas, o dom para o texto não me deixou fugir dessa responsabilidade que me compete aqui: postar no CAIA NA.

Por isso, estou voltando a escrever. Aos poucos, claro. Vai depender da inspiração e dos próximos passos da Rede de Correções, que se encontra em stand by, no momento. É preciso reinventá-la, assim como me reinventei. O caminho eu já sei. Se vai dar certo, ninguém sabe. Que eu posso todo mundo que me conhece sabe! Então é só eu aprontar algo diferente que o CAIA NA vai registrar.

Em breve as novidades. Abração!

Prof. Robson Santiago

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Aula de revisão e redação em nossos parabéns

É com muita satisfação que recebemos, revisamos e publicamos essa joia, que nos foi enviada por nosso parceiro Quimas, do Movimento Armas da Paz. Sem dúvida, seu texto nos honra e nos serve de exemplo para, metalinguisticamente, exemplificar o que é o trabalho de um revisor de texto e como se pode redigir um bom texto, sem excessos e com precisão. Fiquem com esse brilhante.

Parabéns a Rede de Correções por este ano de vida

Escrever com total correção é algo raro, mesmo entre escritores muitas vezes renomados. Seja na língua portuguesa ou em qualquer outro idioma quase sempre os erros passam despercebidos a quem escreve, principalmente quando o texto tem certo volume.


Deslize na pontuação (arte muito difícil), erros ortográficos e de concordância, imprecisão na escrita, enfim, uma série de dificuldades se impõe a quem se atreve passar para o papel, ou para a tela, as suas ideias por escrito.

Contudo, para nos auxiliar nessa empreitada, há esses anjos salvadores aos quais chamamos revisores. São eles que, com paciência incomensurável e munidos de vasto conhecimento sobre a língua, ajudam a tornar impecáveis os nossos textos.

A língua alcança a sua máxima expressão quando falada ou escrita com perfeição. Para que um texto esteja perfeito não estão necessariamente presentes palavras rebuscadas, difícil entendimento, ou maneirismos que ludibriam o leitor ou o ouvinte, que tomam como brilhante um conteúdo banal dissimulado pela erudição dos termos. Um texto perfeito é aquele que transmite o melhor conteúdo e é escrito com correção.

Essa última é a tarefa da Rede de Correções: lapidar e garantir que o material textual chegue ao leitor não como gema, mas como joia perfeita, brilhante, revelando e garantindo o seu máximo esplendor.

A todos da Rede de Correções só posso parabenizar pelo trabalho de excelência, auxiliando a todos que cultivam a arte de escrever, ou àqueles que necessitam de ter seus textos impecáveis para apresentação. 

Um abraço a todos da Rede, como carinhosamente gosto de chamar. Parabéns!


@quimas
@armasdapaz

domingo, 25 de setembro de 2011

Homônima, hoje é seu dia - queria dividir contigo esta emoção

A caminho do trabalho, há menos de uma semana, pensava no assunto da próxima postagem a ser aqui publicada, para marcar o aniversário da Rede de Correções. Na minha lembrança vinha um comentário da época em que estudava sociolinguística: "são homônimas as palavras 'OÇO' e 'OSSO', se desconsiderarmos o padrão de língua e relevarmos as duas pronúncias realizadas por diversos falantes". É claro que devemos relevar a variedade padrão e lembrar que estamos diante do verbo OUVIR, cuja conjugação em primeira pessoa é OUÇO. No máximo, então, teríamos uma relação de paronímia* e não de homonímia**, todavia a sociolinguística trata daquilo que se encontra em uso, independente de ser aceito como correto ou não. Mas minha caminhada e o planejamento de meu texto se perderam na audição momentânea de uma canção, e a aula de semântica vai ficando para a próxima.

Essa "canção não é mais que uma canção" como tantas outras que se ouve, quando rumamos em direção à labuta. Ela trouxe à tona a recordação de um ano atrás, momento no qual já havíamos posto no ar nosso site, hoje desativado - vale mais a pena estarmos nas redes sociais e termos uma presença mais dilatada que concentrar esforços num só espaço. Muitas coisas mudaram de lá até aqui, mas sem sombra de dúvida, sempre que eu ouvir aquela música, vou lembrar-me desta data. 

Nunca disse aos meus colegas de trabalho que o 25 de setembro tinha sido um marco na minha incipiente trajetória de empresário. Para eles, a Rede de Correções fora fundada no início do mês, quando ocorreu a abertura do site rededecorrecoes.com. A questão é que, particularmente, a Rede significou não só um marco na vida do empresário, mas também o início de um projeto de reconquista, interrompido por uma escolha alheia às minhas forças. Alcançar a independência, o poder de decidir, a autonomia de como investir são ambições de todos os empreendedores. Ruim é saber que algumas coisas na vida não funcionam como uma empresa particular, não dependendo, pois, de seu esforço para que deem certo.

Dos versos da música "Diz pra mim", de Nando Cordel, pude tirar uma analogia interessante sobre minha busca de consolidação no mercado. Quando o poeta cantava "Diz pra mim, o que fazer pra te conquistar", lembro bem, eu estava organizando o caos e realizando o planejamento para a conquista do mercado local. Aliás, lembrem que em "A nossa história - parte 1" , publicada aqui, em abril deste ano, foi revelado que a inspiração para a criação da Rede partiu do caos. Eu queria organizá-lo. Consertá-lo. Corrigi-lo.

Outras comparações vem à lembrança, quando me deparo com versos como "a gente sonha, a gente busca o infinito". Nessas palavras eu via se delinear o sonho do próprio negócio, com infinitas possibilidades de realização. Mas sem dúvida alguma, o que mais mexe comigo é o final da música, quando o artista diz "queria dividir contigo essa emoção". Naquele ano, fundei a Rede pensando num projeto de vida, mas não só para mim. Esse trabalho nas redes sociais, na verdade, deveria ser feito por outra pessoa, para quem eu cantava o refrão da música.

Hoje é seu aniversario, minha Rede. Hoje é seu dia, homônima. Ainda dividirei essa emoção com quem me inspirou a criá-la - anônima. Nas várias acepções da palavra REDE, sinto-me literalmente caído, imerso e ainda assim, grato. Quanto ao refrão, continuo pleonasticamente a cantá-lo, mesmo que não mais seja ouvido. Já ao ícone inspirador, desejo o melhor. E sigo aqui, tocando a Rede, planejando a próxima aula de relações semânticas, para postar neste espaço e ajudar aqueles que gostam de refletir sobre a língua. Quando quero emocionar-me, ouço a bela música.*** E como diz o personagem da vez, "é oooosssso!!!"

Robson Santiago

*Palavras homônimas se caracterizam pela semelhança gráfica e sonora. Algumas são grafadas exatamente iguais, mas possuem minimas diferenças de som; outras são iguais no som e diferentes na grafia.

**Palavras parônimas se caracterizam pela semelhança sonora, mas sempre com diferenças mínimas na grafia. São distintivamente marcadas por uma ou duas letras, no máximo.  

sábado, 17 de setembro de 2011

Ficai atentos ou sejai atropelados pelo Carro Velho.

Já andei tratando em nosso twitter @rededecorrecoes de um tema ao qual se tem dado pouca atenção nas redações jornalísticas: o uso equivocado, quanto ao padrão gramatical, da contração entre a preposição DE e o pronome pessoal ELE (ou ELES). É comum passar despercebido esse detalhe, pois parece mais fácil, rápido e coerente dizer "o fato deles entenderem", por exemplo. Aí surge uma ambiguidade que não se pretende provocar, mas que se poderia evitar, caso o uso adequado do pronome ocorresse.

A questão é que poucos atentam para o fato de que o pronome ELE, quando utilizado na função de sujeito de uma verbo, não se combina com preposição alguma. Aliás, nenhum pronome pode ser sujeito sendo combinado a uma preposição. Dou um exemplo retirado de um jornal local, mais precisamente do caderno cujas notícias versam sobre política. Omito a fonte por questões éticas, lógico. Mas não poderia deixar de transcrever o trecho, porquanto seja nossa função a observação e o zelo pelo uso do idioma. Então, vejamos:

"Assessores do Planalto informaram que a presidente teria mandado um recado ao presidente do Senado com relação à sua expectativa de sancionar o quanto antes a proposta. O impasse com Sarney e Collor se deve ao fato deles defenderem o sigilo eterno para documentos ultrassecretos."

Ora, se considerarmos que DE + ELES = DELES é usado em caso de complementação (nominal ou verbal), entenderemos que o FATO é dos dois senadores (deles), é pertencente a eles, provocado por eles. Nesse caso, é o fato que defende o sigilo; temos, pois, uma incoerência e um "erro" de concordância verbal, porque o texto caminha para o sentido de os senadores defenderem o sigilo, não de o fato defender. 

Para evitar esse tipo de leitura, de incoerência, de inadequação, é preciso separar preposição e pronome, reformulando a construção para "...se deve ao fato DE ELES defenderem...". Exercitando, observemos outros exemplos abaixo:

A política está perdendo credibilidade. É hora dela reagir. 
CORRIGINDO: É hora de ela reagir.

As pessoas não veem que está chegando o momento delas ficarem mais atentas: aí vem eleição!
CORRIGINDO: ...momento de elas ficarem mais atentas.

O mesmo acontece quando se contrai a preposição com artigo, produzindo frases como "Hoje é dia das pessoas votarem." Não, o dia não é das pessoas; é dia de elas votarem. Logo, "de as pessoas" é a construção padrão a ser produzida. No entanto, essa minúcia parece não ter muita relevância para alguns "escritores" de plantão. Eles simplesmente têm atropelado tal detalhe, embora encham a boca para criticar outros deslizes dos falantes comuns. Nem todos, claro! Mas lembram da polêmica do livro que ensinava a falar/escrever errado? Quem criticou o livro do MEC e sabia discernir esses usos aqui expostos? Assuma! É ou não é complexa nossa língua?

É bom ficar atento aos detalhes da "última flor do lácio", para poder fazer jus ao título, ao cargo a à função que se ocupa na sociedade. É bom também evitar tecer críticas a outrem, pois como costumo dizer aqui, a língua é viva, sujeita a mudanças, pertencente ao povo que dela faz uso - e não a esse ou aquele grupo de letrados - e cheia de pequenos detalhes,  muitos dos quais são desconhecidos por usuários comuns, não especialistas na pesquisa linguística, ou mesmo por usuários mais hábeis, porém desatentos à velha gramática escolar.

Então, caros redatores, editores, revisores e escritores, ficai atentos ao detalhe da contração entre o DE e os pronomes, para que não incorrais em deslizes que possam passar despercebidos à população desavisada, menos letrada; mas se cair na Rede... Aos críticos, posto a seguir um link com o áudio de uma aula de português maravilhosa, ministrada pelo Prof. Carro Velho. É claro que o autor daquele trecho supracitado que analisei aqui não se compara ao nosso mestre dos neologismos, mas seria interessante que entendêssemos que ambos são brasileiros, falantes da mesma língua e que, em menor ou maior quantidade e importância, ambos comentem deslizes quanto ao uso padrão da nossa língua portuguesa.

http://youtu.be/zwFJGC1FjPQ

Robson Santiago

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Condição "sine qua non" para alcançar a independência linguística

Na Era Medieval - que me perdoem os historiadores, se eu estiver errado - a Igreja pautava suas orações mais "fortes", nas celebrações, pelo uso do Latim. Pelas terras brasileiras, na época da Colônia, era comum os padres reservarem um trecho importante da missa para falas no idioma clássico. Há quem diga que esse era um recurso utilizado pela Igreja para distanciar-se do fiel, no que concerne à hierarquia. É que toda língua reflete uma relação de poder, e o Latim, pronunciado pelos eclesiásticos, funcionava como uma demonstração de superioridade do falante - era a língua santa, privilégio dos "iluminados".

Hoje em dia, no Direito, expressões latinas são constantemente utilizadas nos textos oficiais, tanto orais quanto escritos. Falasse em processo INITIO LITIS, defesa ABSENTE REO, condição SINE QUA NON,  entre outras expressões através das quais "a língua mãe" se faz viva. Aliás, cabe aqui um adendo aos menos esclarecidos sobre a ciência linguística: o Latim é considerado língua mãe não por ser a primeira língua do mundo, mas sim por ter originado outras, como o Português, o romeno, o italiano, o espanhol; e ter influenciado a formação do inglês e francês também. Antes dele, no mesmo tronco, houve o Sânscrito. Na verdade, havia línguas orientais bem mais antigas que nosso velho Latim.

Contudo, vem dele - e da cultura romana - grande parte dos princípios que fundamentam o Direito ocidental. O que nos provoca a discussão nessa postagem é o fato de que as expressões latinas, próprias do universo de discurso jurídico, têm sido usadas por outros "iluminados", que não mais representam - oficialmente - a palavra divina, mas que estão no topo da hierarquia política. Um certo presidente já fazia moda, pouquíssimo tempo atrás, falando em "condição sine quo non para erradicar a pobreza." Recentemente, outra "figura" atentou contra o desconhecimento linguístico de milhões, ao se expressar em defesa da classe política, dizendo que em seu governo ninguém se "locupletava". É o privilégio de deter o conhecimento sobre a língua que permite aos ditos "iluminados" de hoje em dia comunicar-se (ou não) dessa maneira publicamente.

Por outro lado, cabe a um povo dividido entre adeptos de Chico Buarque, Noel Rosa, Vinícius de Moraes, Ivete Sangalo, Leonardo e os "sábios" Mcs do Funk e do Brega discernirem melhor o uso do idioma, nas suas modalidades - oral e escrita. Apoderar-se dos diversos recursos à disposição numa língua é tudo que deve fazer um usuário competente, para atingir a independência e ampliar sua competência linguística. Independência esta que é trocada muitas vezes pelo conformismo de receber da imprensa - muito bem letrada - as explicações sobre as falas dos figurões. Aliás, sempre que o FHC saía com as suas, lembro bem, havia um ou outro jornalista que ía às ruas para perguntar se o povão conhecia determinada palavra e etc.

O papel da imprensa está e sempre esteve muito bem claro por aqui: informar. O papel do político é representar, mas ele precisa lembrar que representa uma diversidade, não um seleto grupo que conhece minúcias da nossa língua ou particularidades daquela que lhe deu origem. O papel do eclesiástico deveria ser levar "a boa nova" aos que dela necessitam, como representantes do divino que se auto-proclamam. E digo assim porque Ele não disse publicamente quem o representa, apenas ensinou, segundo as sagradas escrituras, o que se pode fazer em seu nome. E não estava incluso nos seus mandamentos não se fazer entender.

O papel do povão, meu e seu é buscar conhecer sua língua em todas as suas variedades, sem relegar nenhuma ao discriminado status de falar errado; ou de falar bonitinho, porque há também quem discrimine o falar padrão. É preciso ter como condição sine qua non  de uma nação forte, um povo conhecedor de seu idioma de maneira competente.

Aconselho, portanto, aos estudantes que não se dedicam ao Direito apoderarem-se de termos latinos também. Um a priori não está presente apenas nas sentenças judicias. Está em qualquer ação acadêmica, no âmbito da pesquisa; está em redações de jornais, de revistas comerciais. Um apud, então, está em todas as referências de uma dissertação, de uma monografia. Do mesmo modo estão o in, o et ali, o etc. A língua portuguesa de hoje mantém vivas práticas linguísticas do Latim, que não se podem confundir com os falares iluminados dos figurões supracitados. Fiquem atentos a isso, se quiserem sua independência linguística!

Robson Santiago

P.S. (Post Scriptum)
Seguem alguns links de dicionários de expressões latinas, os quais encontrei pela web. Contudo, é sempre bom consultar um livro especializado.